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Mario de Sá-Carneiro 

  Um dos adeptos das propostas do futurismo foi Mário de Sá-Carneiro. Foi um poeta português da primeira Geração Modernista, também conhecida como "Geração d'Orpheu". Sua obra ocupa lugar de destaque na literatura portuguesa.

Biografia de Mário de Sá-Carneiro

  Mario de Sá-Carneiro nasceu em 19 de maio de 1890, em  Lisboa, Portugal. Filho de um engenheiro ficou órfão de mãe com dois anos de idade e teve uma infância difícil. Então ficou aos cuidados dos avós sendo criado na Quinta da Vitória, nos arredores de Lisboa.      
  Em 1900, ingressou no Liceu de Lisboa, época em que começou a escrever suas primeiras poesias.      
  Em 1905 redigiu e imprimiu o jornal satírico “O Chinó”. 
  Em 1908 ele colaborou com pequenos contos, na revista Azulejos.
  Em 1910, escreveu, em colaboração com Thomas Cabreira Júnior (que viria a se suicidar no ano seguinte), a peça “Amizade”. Sentido com a morte do amigo, dedicou-lhe o poema “A Um Suicida”
  Em 1911, Mário de Sá-Carneiro foi para Coimbra e matriculou-se na Faculdade de Direito, mas não completou o curso. Em 1912 iniciou conheceu Fernando Pessoa.
  Em 1914, Mário de Sá-Carneiro voltou para Lisboa e juntou-se a Fernando Pessoa para colaborar com a revista “Orpheu” que tinha o objetivo de divulgar os novos ideais estéticos, procurando acompanhar as transformações culturais, ocorridas em toda a Europa.
  Nesse mesmo ano ainda publicou duas obras: o livro de poemas, “Dispersão” e a novela “Confissões de Lúcio”. Viveu um tempo de grande euforia em torno do início do movimento modernista português.
  Em março de 1915, foi lançado o primeiro número da revista Orpheu. No final desse ano, Sá-Carneiro publicou o livro de contos, “Céu em Fogo”. 
  Depois que retornou a Paris, a vida de Mário de Sá-Carneiro mudou radicalmente, após seu pai entrar em falência e cortar a mesada que o sustentava. Além da dificuldade financeira e da crise geral que todos passavam Mário de Sá-Carneiro chegou a pensar em suicídio. Possibilidade que comentara com os amigos, inclusive com Fernando Pessoa, com quem se correspondia, sem que ninguém lhe desse muito crédito.
  Mário de Sá-Carneiro suicidou-se no Hotel de Nice, em Paris, no dia 26 de abril de 1916, com apenas 26 anos.

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