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Mostrando postagens de maio, 2019

"Quase", de Mário de Sá-Carneiro

Quase Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de azul - eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe de asa... Se ao menos eu permanecesse aquém... Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído Num grande mar enganador de espuma; E o grande sonho despertado em bruma, O grande sonho - ó dor! - quase vivido... Quase o amor, quase o triunfo e a chama, Quase o princípio e o fim - quase a expansão... Mas na minh'alma tudo se derrama... Entanto nada foi só ilusão! De tudo houve um começo ... e tudo errou... - Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim, Asa que se elançou mas não voou... Momentos de alma que,desbaratei... Templos aonde nunca pus um altar... Rios que perdi sem os levar ao mar... Ânsias que foram mas que não fixei... Se me vagueio, encontro só indícios... Ogivas para o sol - vejo-as cerradas; E mãos de herói, sem fé, acobardadas, Puseram grades sobre os precipí...

"Dispersão", de Mário de Sá-Carneiro

  Dispersão Perdi-me dentro de mim  Porque eu era labirinto,  E hoje, quando me sinto,  É com saudades de mim.  Passei pela minha vida  Um astro doido a sonhar.  Na ânsia de ultrapassar,  Nem dei pela minha vida...  Para mim é sempre ontem,  Não tenho amanhã nem hoje:  O tempo que aos outros foge  Cai sobre mim feito ontem.  (O Domingo de Paris  Lembra-me o desaparecido  Que sentia comovido  Os Domingos de Paris:  Porque um domingo é familia,  É bem-estar, é singeleza,  E os que olham a beleza  Não têm bem-estar nem familia).  O pobre moço das ânsias...  Tu, sim, tu eras alguém!  E foi por isso também  Que te abismaste nas ânsias.  A grande ave dourada  Bateu asas para os céus,  Mas fechou-as saciada  Ao ver que ganhava os céus.  Como se chora um amante,  Assim me choro a mim mesmo:  Eu fui amante inconstante  Que se traíu...

“A Um Suicida”, de Mário de Sá-Carneiro

À memória de Tomás Cabreira Júnior Tu crias em ti mesmo e eras corajoso, Tu tinhas ideais e tinhas confiança, Oh! quantas vezes desesp'rançoso, Não invejei a tua esp'rança! Dizia para mim: — Aquele há-de vencer Aquele há-de colar a boca sequiosa Nuns lábios cor-de-rosa Que eu nunca beijarei, que me farão morrer A nossa amante era a Glória Que para ti — era a vitória, E para mim — asas partidas. Tinhas esp'ranças, ambições... As minhas pobres ilusões, Essas estavam já perdidas... Imersa no azul dos campos siderais Sorria para ti a grande encantadora, A grande caprichosa, a grande amante loura Em que tínhamos posto os nossos ideais. Robusto caminheiro e forte lutador Havias de chegar ao fim da longa estrada De corpo avigorado e de alma avigorada Pelo triunfo e pelo amor Amor! Quem tem vinte anos Há-de por força amar. Na idade dos enganos Quem se não há-de enganar? Enquanto tu vencerias Na luta heroica da vida E, sereno, esperarias Aquela segunda vida Dos bem-fadados da ...

Mario de Sá-Carneiro 

  Um dos adeptos das propostas do futurismo foi Mário de Sá-Carneiro. Foi um poeta português da primeira Geração Modernista, também conhecida como "Geração d'Orpheu". Sua obra ocupa lugar de destaque na literatura portuguesa. Biografia de Mário de Sá-Carneiro   Mario de Sá-Carneiro nasceu em   19 de maio de 1890, em    Lisboa, Portugal. Filho de um engenheiro ficou órfão de mãe com dois anos de idade e teve uma infância difícil. Então ficou aos cuidados dos avós sendo criado na Quinta da Vitória, nos arredores de Lisboa.         Em 1900, ingressou no Liceu de Lisboa, época em que começou a escrever suas primeiras poesias.         Em 1905 redigiu e imprimiu o jornal satírico “O Chinó”.    Em 1908 ele colaborou com pequenos contos, na revista Azulejos.   Em 1910, escreveu, em colaboração com Thomas Cabreira Júnior (que viria a se suicidar no ano seguinte), a peça “Amizade”. Sentido com a mort...

Dynamism of a Dog on a Leash

Dynamism of a Dog on a Leash (1912) Data de criação 1912 Autores Giacomo Balla Técnica utilizada para produzir a obra: óleo sobre tela Período :   Futurism o Disponível em:  http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa350852/giacomo-balla

El Funeral del anarquista Galli

El  Funeral  del  anarquista Galli  ( 1911) Artista :  Carlo Carrà Dimensões :  1,99 m x 2,59 m Localização :  The Museum of Modern Art Material :  Tinta a óleo Criação :  1910–1911 Período :  Futurismo Disponível em:   https://www.elcuadrodeldia.com/post/117588090338/carlo-carr%C3%A0-el-funeral-del-anarquista-galli

o Manifesto Futurista

  As vanguardas europeias surgiram no inicio do seculo XX e foi um movimento formado por grupos de pessoas que por seus conhecimentos tiveram um papel de percursores em determinado momento cultural artístico e científico. Não aconteceram de forma uniforme foi um conjunto de tendências artísticas muitas.      Sua proposta era o sentimento de liberdade criadora e o desejo de romper com o passado e expressão de subjetividade e certo irracionalismo. Tendo em vista esse princípio uma das vanguardas que se destacaram por essas propostas foi o futurismo.      Em 1909, o italiano Filippo Tommasio Marinetti publicou no jornal parisiense Le Fígaro o Manifesto Futurista, onde as propostas representa uma verdadeira revolução literária e artística, entre elas destacam-se o modo como os escritores se expressavam com tanta sensibilidade, como Mário de Sá-Carneiro escrevia,  destruição da sintaxe, das  palavras em liberdade, empregos de verbos no infi...